terça-feira, agosto 18, 2009

coisas de que se ouviram e que jamais podem esquecer-se

(conversa entre mulheres num banho turco de um espaço hoteleiro em Tróia, Portugal)

...
─ Então onde é que ela passou férias?
─ Em Porto Seguro, na Madeira… ou no Funchal…
─ Porto Seguro do Funchal? Mas Porto Seguro não é nos Açores?
─ Ah pois é… baralho sempre isso, é nos Açores, é.
...

terça-feira, julho 21, 2009

sem título




You are my flesh
You are my bones
You are endless shifting tones
You are my eyes you are my ears
You are the salt within my tears
You are my noise you are my sound
You are the dark and shifting ground
You are my yes you are my no
You are rarely wrong i know

So move with me
With me removed

You are my down you are my up
You're so now never give up
You are my last you are my first
You are my good luck and my worst
You are my love you are my pay
You see green when i see grey
You are my bad i am your good
There are words misunderstood

So move with me
With me removed

You are my fingers i am your hand
I am your three man one man band
You are my breath i am your tongue
I feel old when you look young
I am your feet you are my toes
Where you come from no-one knows
I am your vision
You are my scent
I am borrowed you are lent

I am nervous you are calm
I see lines upon your palm
I am close we are near
Though the ending is not clear
We are seperate we are one
The division has begun
You are my future i am your past
Even music will not last

So move with me
With me removed

You and us together
Together in this room
You will not remember
This passing moment soon

I am nervous you are calm
I see lines upom your palm
I am close we are near
Though the ending is not here
We are seperate we are one
The division has begun
You are my future i am your past
Even music will not last

So move with me
With me removed

You and us together
Together in this room
You will not remember
This passing moment soon
.................................

quinta-feira, junho 25, 2009

coisas de pedagogia entre outros assuntos pertinentes

Ontem estive a ver e a ouvir as palavras de Nuno Crato num canal de televisão portuguesa. E acreditei (corroborando) em tudo quanto ouvi, esperando que as palavras ali ditas entrassem, tranquilamente, em todas as casas por este país fora (ou dentro), porque elas são necessárias, especialmente na conjuntura (educativa, cultural e científica, entre outras) em que vivemos.

É urgente que o país se dê conta de que está a retroceder, degradando-se. É que a degradação de um país parte, como se sabe, da formação dos seus cidadãos, e quando eles não são formados, quando a desacreditação das fundações do conhecimento é prática corrente, não pode, qualquer que seja a sociedade moderna, tornar-se numa sociedade de facto, atendendo aos predicados que a ela convêm imputar-se.

Felizmente que nem todos estão de olhos vendados, e que há, mesmo que poucos, alguns sujeitos que reflectem sobre estes assuntos estruturantes com inteligência e com verticalidade, expondo, com a clareza que importa a estes assuntos, que o caminho da formação, desde os primeiros anos de vida dos sujeitos em processo formativo, passa pelo trabalho e pelo esforço, pela memorização, pela repetição de exercícios, pela sistematização, pela prática, ainda que mal compreendida, mas depois absorvida, pela activação de mecanismos adstritos à aquisição de conhecimento.

As modernas práticas de formação instigam, segundo Nuno Crato, e que todos nós testemunhamos, à auto-aprendizagem e à motivação individual mas, todavia, não pode um sujeito, e independentemente da sua idade (ou grau de formação), motivar-se sem conhecer, já que é a própria(e constante)aquisição de conhecimento que proporciona um crescendo de motivação. Trata-se de um processo circular, e não de um esquema linear de aprendizagem.

Recordo outro assunto tratado na entrevista de ontem, e que toca a questão daquilo que podemos designar como a aprendizagem a brincar... Quando as prática pedagógicas atendem à forma como devem ensinar-se os aprendentes, investindo-se sobremaneira no aspecto, quanto mais apelativo em termos de formas e de cores e de esquemas que, eventualmente, motivem os formandos, ao invés de investir na qualidade do ensino, alicerçado nas raízes que o devem fundar, tais como oferecer as ferramentas de trabalho de forma orientada, fortalecer os esquemas de aquisição de conhecimento, instigar ao esforço e à prática repetitiva, alargar o espectro de assuntos, explicar o sentido que todos os assuntos possuem de forma transdisciplinar, ou, numa palavra, ensinar (de um lado) para aprender (de outro).

Também eu credito que um formando, para aprender, tem de esforçar-se, tem de memorizar e tem, depois disso, de compreender. Trata-se de um processo que começa, tal como Nuno Crato defende, a partir do grau zero do conhecimento, ou seja, os nossos estudantes começam, no ensino básico, a trabalhar assuntos e a activar mecanismos mesmo antes de se darem conta do que efectivamente estão a praticar, e mesmo sem saberem o que estão, na verdade, a conceber. O que estimula estes aprendentes é, precisamente, a luta que dá este processo e a vitória do alcance de resultados, mesmo que ainda desconhecidos, ou mesmo que desconhecido seja o objectivo desses resultados. Com o tempo, e com o crescendo destas práticas (entre outras que o ensino tradicional promove) surge, no horizonte destes estudantes, ainda que de forma esboçada e incompleta, a razão que levou o professor à prática sistemática do processo que ele viveu.

Trata-se de um caminho longo e duro, mas que forma o sujeito e que lhe oferece a possibilidade de, mais tarde, adquirir, então de forma mais individual, mas alicerçada, outros níveis de conhecimento. O crescimento do estudante desde o primeiro ano faz-se de forma espiralada, diria eu.

Ficam aqui outros textos, da autoria de Nuno Crato, que servem como exemplos da qualidade das suas ideias que, por seu turno, são o fruto de uma pesquisa séria sobre estes assuntos que ao país deveriam importar mais do que outros... sob pena de uma hipoteca com base na alienação e na ausência de formação dos indivíduos que a compõem.

quarta-feira, maio 20, 2009

quarta-feira, maio 06, 2009

III CICLO DE CONFERÊNCIAS PARA O ESTUDO DOS BENS CULTURAIS DA IGREJA





28, 29 e 30 de Maio de 2009

Centro Cultural do Patriarcado de Lisboa

UCP, Lisboa | Aud. 2


Personalidades marcantes no panorama eclesiástico do seu tempo, apesar de reconhecida a sua acção pastoral, política ou, até mesmo, cultural, pouco destaque tem merecido o desempenho mecenático exercido por muitas dessas figuras da Igreja em Portugal.

Com um papel fundamental na aquisição de obras de arte, o seu carácter empreendedor revela-se ainda pelo apoio efectivo concedido às artes, não apenas por via do patronato ou da encomenda, mas também pela intervenção activa em todo o processo criativo.

Conscientes da importância pastoral e política que os meios visuais exercem, assumiram, não raras vezes, como um dos desígnios das suas funções, o melhoramento das respectivas dioceses, ordens religiosas, igrejas ou conventos.

O acesso a alguns dos principais centros artísticos internacionais, a que posição de alto prestígio de que gozavam não era alheia, convertia-os também em reais agentes de modernidade estética e cultural do seu tempo. Motivados pelas necessidades da liturgia e do cerimonial, foram fundamentais na actualização discursiva de inúmeras realizações, que se perpetuam hoje como testemunhos vivos dos seus patronos.

Responsáveis por empreendimentos de singular qualidade no panorama artístico nacional, o presente Ciclo de Conferências visa, não apenas oferecer um mais completo e actualizado conhecimento do perfil biográfico de cada uma dessas figuras, mas, sobretudo, promover o debate em torno do papel da Igreja na construção do seu importante legado patrimonial ao longo dos tempos.


Com o Alto Patrocínio de S. Ema.,

o Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa,

D. José da Cruz Policarpo



Programa

MECENAS E PATRONOS. A Encomenda Artística e a Igreja em Portugal

III Ciclo de Conferências para o Estudos dos Bens Culturais da Igreja

28 de Maio

PRELADOS E MECENAS

09:00h - Recepção dos participantes

09:15h - Abertura - António Pedro Boto de Oliveira - Centro Cultural do Patriarcado de Lisboa

1º PAINEL | MODERADOR: NUNO SALDANHA

09:30h - «O mecenato artístico do arcebispo Dom Gonçalo Pereira na Sé de Braga: um caso exemplar de mecenato episcopal no Portugal medievo» - José Custódio Vieira da Silva e Joana Ramôa | IHA - Faculdade de Ciências Sociais e Humanas/Universidade Nova de Lisboa

10:00h - «O Mecenato de D. Diogo de Sousa, arcebispo de Braga (1505-1532)» - Rui Maurício | Escola Superior Artística do Porto

10:30h - «D. Miguel da Silva (1526-1542), bispo de Viseu» - Sylvie Deswarte-Rosa CNRS Lyon

DEBATE

11:10h - INTERVALO

2º PAINEL | MODERADOR: RUI MAURÍCIO

11:20h - «O mecenato artístico de D. Frei Brás de Barros (c.1500-1561)» Pedro Flor - Universidade Aberta; IHA - Faculdade de Ciências Sociais e Humanas/Universidade Nova de Lisboa

11:50h - «D. Jorge de Almeida (1531-1585): a renovação espiritual e a reconstrução da Antiguidade na diocese de Coimbra» - Maria de Lurdes Craveiro, Faculdade de Letras/Universidade de Coimbra

12:20h - «O mecenato artístico de D. Frei Aleixo de Meneses (1559-1617)» - Carla Alferes Pinto | Museu do Oriente

DEBATE

13:00 h ALMOÇO

3º PAINEL | MODERADOR: ANTÓNIO PEDRO BOTO DE OLIVEIRA

14:30h - «Entre Roma e Lisboa: escultura, pintura e ourivesaria na colecção de arte italiana do prelado diplomata D. Luís de Sousa (1637-1690), bispo de Lamego e arcebispo de Braga» - Teresa Leonor M. Vale | CEPESE - Faculdade de Letras/Universidade do Porto; Bolseira FCT

15:00h - «D. João de Sousa (1647-1710), bispo do Porto, arcebispo de Braga e de Lisboa. Vida e acção mecenática» - Maria João Pereira Coutinho | Doutoranda na Faculdade de Letras/Universidade de Lisboa; Bolseira FCT

15:30h - «O mecenato do arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles no 1º terço do século XVIII» - Manuel Joaquim Moreira da Rocha | Faculdade de Letras/Universidade do Porto

DEBATE

16:15h - INTERVALO

4º PAINEL | MODERADOR: SANDRA COSTA SALDANHA

17:00h - «Frei José Maria Fonseca e Évora (1690-1752), bispo do Porto» - Nuno Saldanha | Escola das Artes/Universidade Católica Portuguesa

17:30h - «Frei Manuel do Cenáculo (1724-1814): um mecenas da ilustração católica» - Joaquim Oliveira Caetano | Museu de Évora

18:00h - «A Obra Mecenática dos Prelados da Casa dos Condes de Vale de Reis» - Filipe Folque de Mendóça

DEBATE

29 de Maio

OBRAS E ENCOMENDADORES

09:30h - Recepção dos participantes

5º PAINEL | MODERADOR: SANDRA COSTA SALDANHA

09:45h - «O túmulo do infante D. Afonso de Portugal (1390-1400) e o mecenato dos arcebispos de Braga» - Marisa Costa | Bolseira de investigação do Instituto dos Museus e da Conservação

10:15h «Dom Frey Gomez e os frescos do Claustro das Laranjas na Abadia de Florença: Ascensão e queda do abade português e suas implicações na formação e percurso artístico do pintor João Gonçalves» - Rosário Gordalina | Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana/Sistema de Inventário para Património Arquitectónico

10:45h - «O Patriarca da Etiópia, a igreja da sua terra e o notável conjunto de paramentos litúrgicos que lhe enviou da Índia» - Arlindo Manuel Caldeira | CHAM/Universidade Nova de Lisboa

DEBATE

11:30h INTERVALO

6º PAINEL | MODERADOR: NUNO SALDANHA

11:45h - «Uma empresa contínua: O Palácio da Mitra Episcopal de Coimbra e os seus patronos» - Milton Pedro Dias Pacheco | Departamento dos Bens Culturais/Diocese de Coimbra

12:15h - «A acção mecenática de D. Tomás de Almeida no Santuário do Senhor da Pedra em Óbidos» - Inês Felício | Rede de Museus e Galerias de Óbidos

DEBATE

13:00h ALMOÇO

7º PAINEL | MODERADOR: CARLOS A. MOREIRA AZEVEDO

14:30h - «A actividade mecenática do arcebispo D. José de Bragança na Igreja do Convento do Carmo, de Guimarães (1746-1754)» - António José de Oliveira | Agrupamento de Escolas Arqueólogo Mário Cardoso

15:00h - «Fr. João de Nossa Senhora (1701-1758) e as encomendas ao escultor José de Almeida: patronato e mediação artística» - Sandra Costa Saldanha | Centro Cultural do Patriarcado de Lisboa

15:30h - «O Magnífico Reitor: a reforma da Universidade e a actividade artística de D. Francisco de Lemos» - António Filipe Pimentel | Faculdade de Letras/Universidade de Coimbra

DEBATE

16:15h INTERVALO

8º PAINEL | MODERADOR: ANTÓNIO PEDRO BOTO DE OLIVEIRA

16:30h - «Acção mecenática de D. Manuel Correia de Bastos Pina: O santuário do Divino Senhor da Serra de Semide» - Regina Anacleto | Faculdade de Letras/Universidade de Coimbra

17:00h - «Arquitectura e religião – patronato em itinerários periféricos» - José Fernando de Castro Gonçalves | Departamento de Arquitectura da Faculdade de Ciências e Tecnologia/Universidade de Coimbra

17:30h - «O Padre Matos Soares e a Igreja da Senhora da Conceição no Porto: Do sonho de uma igreja paroquial moderna à construção de um espaço a várias mãos» Domingas Vasconcelos | Divisão Municipal de Património Cultural/Câmara Municipal do Porto

DEBATE

30 de Maio

PATRONATO E INSTITUIÇÕES

09:30h - Recepção dos participantes

9º PAINEL | MODERADOR: NELSON CORREIA BORGES

09:45h - «Mecenato e encomenda de pintura mural nos séculos XV e XVI para igrejas paroquiais do Norte de Portugal» - Paula Bessa | Departamento de História/Universidade do Minho

10:15h - «Encomenda e mecenato artístico quinhentista, o caso dos encargos escultóricos na cidade de Coimbra» - Carla Alexandra Gonçalves | Universidade Aberta; CEAUCP/CAM

10:45h - «Mecenato prioral e episcopal em S. Domingos de Benfica» - Fr. António-José de Almeida, OP | Pós-doutoramento na Universidade Marc Bloch de Estrasburgo e Universidade do Porto; Bolseiro FCT

DEBATE

11:30h INTERVALO

10º PAINEL | MODERADOR: NUNO SALDANHA

11:45h - «A acção mecenática das abadessas trienais do mosteiro de S. Bento de Cástris e a intervenção no espaço conventual» - Antónia Fialho Conde | CIDEHUS - Departamento de História/Universidade de Évora

12:15h - «Uma abadessa barroca de Lorvão: D. Bernarda Teles de Meneses» - Nelson Correia Borges | Faculdade de Letras/Universidade de Coimbra

DEBATE

13:00h - ALMOÇO

11º PAINEL | MODERADOR: ANTÓNIO PEDRO BOTO DE OLIVEIRA

14:30h - «E as “capelas”? Encomendadores e mecenato nas ermidas da cidade de Lamego (séculos XVI a XVIII)» - Nuno Resende | Bolseiro FCT; CEPESE - Faculdade de Letras/Universidade do Porto

15:00h - «Patronos da arte dos sons: o sistema produtivo da música sacra na Patriarcal e na Capela Real de Lisboa entre 1750 e 1807» - Cristina Fernandes | Unidade de Investigação em Música e Musicologia/Universidade de Évora

DEBATE

15:45h INTERVALO

12º PAINEL | MODERADOR: SANDRA COSTA SALDANHA

16:00h - «O papel pioneiro da Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo de Faro na introdução do Rococó no Algarve» - Francisco Lameira | Faculdade de Ciências Humanas e Sociais/Universidade do Algarve

16:30h - «A Irmandade de N. Sra. da Encarnação e as directrizes litúrgicas numa encomenda a Joaquim Machado de Castro» - António Pedro Boto de Oliveira | Centro Cultural do Patriarcado de Lisboa

17:00h - «A encomenda artística no Santuário de Fátima: as obras do último quartel do século XX» - Marco Daniel Duarte | Departamento de Arte e Património/Museu do Santuário de Fátima

DEBATE

17:45h – Encerramento - D. José da Cruz Policarpo

terça-feira, abril 21, 2009

por detrás do vidro negro em que me acabo

ouço um piar baixinho, vindo de dentro e que clama,
clamando seus clamamentos,
com seus clamares afoitos,
mas num piar baixinho, como um sufoco que chora,
chora, seus choramentos.
e por detrás do vidro negro em que me encerro
não vejo o mundo, e nem o sinto,
porque provindo de dentro dele não ouço nada...
só o teu clamar baixinho,
teu clamamento,
que junto ao meu me encerra por detrás do vidro,
num desmedido jorro de choramentos.
Compete-me rasgar as folhas em que escrevi vendavais.
Compete-me lançar fogo aos desalinhos da mente.
Compete-me fechar os olhos ao mundo que me desvia.
Compete-me, enfim, a mesma dor.
e Cumpre-se um destino cheio de nadas.

terça-feira, abril 14, 2009

por vezes as boas notícias passam discretamente sob o nosso olhar entorpecido

Noticia-se hoje, no Público, e também nos jornais locais, o projecto de investigação transdisciplinar em curso desde há uns anos, e que merece os encómios que os media lhe reservam, em boa hora.

A moderna história da arte concebe-se deste modo, utilizando uma equipa de investigação transdisciplinar norteada em favor de uma causa, ou de um problema teórico que urge resolver-se. As ciências ditas sociais e humanas devem mover-se, em termos metodológicos, e com as devidas alterações promovidas pelos meios que possuem para produzir hipóteses e para diminuir os erros, no mesmo horizonte que as ciências ditas exactas e, nessa medida, concebe-se o objecto de trabalho como um problema que merece resolução integrada. A tecnologia ao serviço da história da arte (ou o contrário) promove um conjunto de bens ciéntíficos de grande fortuna cultural. E o que escapa a uns, enquanto processo de trabalho, pode não escapar a outros, consubstanciando-se assim um elo de conhecimento integrado que merece aplausos, e que dispõe a levantar os véus ao tempo, conduzindo-nos por outros caminhos que, até então, faziam parte de um horizonte utópico e irreal.

Neste sentido, a feliz e oportuna companhia científica, miscigenando a Física, a Química e a História da Arte, surte efeitos devastadores.
Dedicando alguns dos meus anos a investigar o trabalho escultórico coimbrão quinhentista, senti a falência do trabalho teórico sem a justa coadjuvação com os meios tecnológicos que a moderna ciência (também) coloca, com grande facilidade, à disposição das ciências humanas. O estudo consertado da arte é assim mesmo que tem de realizar-se, nesta integração científica onde se cruzam saberes solidificados, produzindo-se resultados que abalam o tradicional mecanismo teórico e especulativo, sustentado apenas pelos meios empíricos e pela exegese documental.

O trabalho que a Faculdade de Ciências e Tecnologia (UC) desempenha conjuntamente com a Faculdade de Letras (UC) vem demonstrar que o saber científico não tem barreiras, e que as velhas querelas epistemológicas só podem ler-se à luz da história da epistemologia.

quarta-feira, março 25, 2009

ode ao sentir que se sente


Max Ernst, Alice in 1941




********************
porque sinto o que minto,
porque me ausento de mim para o que sinto,
porque me ausento de ti quando te sinto.
porque levo comigo o murmurar das tuas asas
presas a mim pelo grampo rubro de uma solidão sem fim…
porque elevo o olhar ao céu quando tremo
por ter comigo essa fina vestidura carmim que me ferra
e nunca hasteia, jamais,
porque terá de ser assim…
porque o que me cansa sentir faz de mim um escravo e ainda assim, escravizado, vivo um gozo incomensurado?

terça-feira, março 17, 2009





IMAGINÁRIA RELIGIOSA
EM PORTUGAL
III CURSO LIVRE DE HISTÓRIA DA ARTE RELIGIOSA

1 Abril a 20 Maio 2009 | Mosteiro de S. Vicente de Fora
Centro Cultural do Patriarcado de Lisboa

Área abundantemente representada em Portugal, o presente curso centra-se, particularmente, no processo de criação da Imaginária Religiosa em contexto nacional, sua especificidade geográfica, mestres, formas e iconografia, mas também nas questões inerentes à actual problemática da conservação. Domínio de estudos carente de investigações sistematizadas, visa o desenvolvimento de competências ao nível da sua identificação, análise, inventário e preservação. Contando com a colaboração de um vasto leque especialistas, destina-se a profissionais na área da conservação e restauro, museologia, inventário e história da arte, mas também a todos aqueles com interesse ou responsabilidade na divulgação e salvaguarda de bens culturais.
Programa

01 Abr. 09 | Imaginária no norte de Portugal nos séculos XVII e XVIII - artistas, formas e funções
Manuel Joaquim Moreira da Rocha | Faculdade de Letras / Universidade do Porto

08 Abr. 09 | O triunfo da escultura religiosa em madeira no Porto, do século XVIII ao século XX - oficinas, obras e artistas
José Manuel Tedim | Universidade Portucalense

15 Abr. 09 | A escultura coimbrã do século XVI – as figuras, os retábulos, e as capelas todas-em-pedra
Carla Alexandra Gonçalves | Universidade Aberta

22 Abr. 09 | A produção de imaginária religiosa em Lisboa no século XVIII – mestres, formas e influências
Sandra Costa Saldanha | Centro Cultural do Patriarcado de Lisboa

29 Abr. 09 | Um percurso pela imaginária no Alentejo no período moderno
Joaquim Oliveira Caetano | Museu de Évora

06 Mai. 09 | Imaginária religiosa no Brasil nos séculos XVII e XVIII - oficinas conventuais e escolas regionais
Myriam Andrade Ribeiro de Oliveira | Universidade Federal do Rio de Janeiro

13 Mai. 09 | Questões de iconografia na imaginária luso-oriental em marfim – séculos XVI-XVIII
Maria Cristina Osswald | Universidade do Minho, UNED (Madrid) e UNICAMP (Brasil)

20 Mai. 09 | Iconografia da Cruz de Cristo na imaginária portuguesa
Carlos A. Moreira Azevedo | Escola das Artes / Universidade Católica Portuguesa


Preços

Público em geral
135 €

Patriarcado de Lisboa
100 €

Participantes I e II Curso
100 €
Certificação
Certificado de Frequência, com descriminação do programa do curso, emitido pelo Centro Cultural do Patriarcado de Lisboa, a todos os participantes que assistam, no mínimo, a 75% das sessões previstas.

Horário e Local
4ª feira, 18:00h - 19:30h
Salão Nobre, Mosteiro de S. Vicente de Fora

Inscrições
Os interessados deverão enviar, até 30 de Março de 2009, a ficha de inscrição, devidamente preenchida e acompanhada do respectivo pagamento, para:

III Curso Livre de História da Arte Religiosa
Centro Cultural do Patriarcado de Lisboa
Mosteiro de São Vicente de Fora
Campo de Santa Clara, 1100-472 Lisboa

* Pré-inscrições por email
Pagamento
Numerário
Cheque: à ordem de PATRIARCADO DE LISBOA
Transferência bancária: NIB – 0046 0012 00600041108 70
(mediante envio de uma cópia de comprovativo)
Secretariado
Andrea Almeida
Tel. 218810500

Contactos
Mosteiro de São Vicente de Fora
Campo de Santa Clara
1100-472 Lisboa
Fax: 218810555 Informações
cursoimaginaria@netcabo.pt

domingo, fevereiro 22, 2009

ao Mestre Lagoa Henriques

Das poucas vezes que estive contigo senti-me sempre tão bem.
Agradeço-te agora, tarde demais, tuas palavras que rememoro, como a tua voz doce onde elas se enformaram.


Fica bem

Lagoa Henriques, escultor, de Dezembro de 1923 a Fevereiro de 2008...

terça-feira, fevereiro 17, 2009

... de João de Ruão ... para o espaço



João de Ruão, Profeta, Capela do Santíssimo Sacramento, Matriz de Cantanhede,c. 1547

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

The economy of culture in Europe

O relatório da Comissão Europeia é demasiado claro para que possamos fechar os olhos a uma realidade emergente.

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

será que

... ainda temos o direito de salvar o choupal da sua morte anunciada ...?
CLARO QUE NÃO!
mas podemos, no mínimo, tentar

do inferno de ser pessoa

___________________________
perdi a paciência com tudo o que me rodeia, começando, claro, pelas pessoas, e acabando nelas. há muitos anos que penso que o mundo não se concebeu para albergar pessoas, e há dias que entendo as razões do mundo para querer acabar com as pessoas. estou esgotada de pessoas que ferem, de pessoas absurdas, de pessoas que não ultrapassam a sua própria mesquinhez, de pessoas ingratas, injustas, agressivas, megalómanas, egocêntricas, de pessoas que acreditam ser melhores do que aquilo que realmente são, de pessoas acríticas, acomodadas, vaidosas, de pessoas politiqueiras, de pessoas desonestas, homicidas, vingativas, de pessoas feias, de pessoas falsas, pouco claras, dissimuladas, com duas caras, de pessoas desgovernadas, de pessoas que não pensam, de pessoas que se passeiam, de vãs-pessoas, de pessoas que rebaixam, de pessoas mentirosas, desleais, de pessoas que passam tempo a pensar na forma de acabar com outras pessoas..
estou esgotada de pessoas, de quase todas as pessoas, porque ainda há pessoas, outras pessoas, que sonham.





quero sonhar que não sou gente

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Colóquio Internacional: A escultura em Portugal...

A ESCULTURA EM PORTUGAL

Da Idade Média ao início da Idade Contemporânea:
História e Património


Colóquio Internacional de História de Arte



P R O G R A M A


12 de MARÇO
10.00 h Recepção e entrega de materiais aos participantes
10:30 h Sessão de abertura
Dr. Fernando Mascarenhas (Presidente FCFA)

1ª S e s s ã o
I. A ABORDAGEM HISTÓRICA: PRODUÇÃO NACIONAL, INFLUÊNCIAS, IMPORTAÇÕES

10:45 h A Escultura Românica em Portugal: construções historiográficas e desafios actuais
Dr. Paulo Almeida Fernandes
11:10 h Debate
11:20 h Intervalo
11:40 h A escultura tumular do século XV em Portugal: novos retratos sociais para um novo tempo
Prof. Doutor José Custódio Vieira da Silva e Dra. Joana Ramôa (FCSH, UNL)



12.05 h Debate
12:15 h A escultura do portal de Santa Maria da Vitória da Batalha: transferências e circulação artísticas na Europa na primeira metade do século XV
Prof. Doutor Jean-Marie Guillöuet (Institut National d’Histoire de l’Art, Paris)
12.40 h Debate
13:00 h Almoço

2ª S e s s ã o
15:00 h Da obra multiforme de João de Ruão no “século de ouro” coimbrão
Profª Doutora Carla Gonçalves (Universidade Aberta / CEAUCP)
15:25 h Debate
15:35 h La aportación transpirenaica a la escultura del Renacimiento en la Península Ibérica
Profª. Doutora Maria José Redondo Cantera (Universidade de Valladolid)
16:00 h Debate
16:10 h Intervalo
16.30 h A escultura de Alcobaça no século XVII e a Capela de S. Pedro – sua reconstituição e significado programático
Prof. Doutor Carlos Moura (FCSH, UNL) e Fernando Duarte (Técnico de Conservação e Restauro)
16:55 h Debate
17.05 h A Vez da Escultura. A Obra de Talha Barroca de Lisboa: da cumplicidade à complementaridade das formas
Dra. Sílvia Ferreira (Bolseira FCT, Doutoranda FLUL)
17:30 h Debate




13 de MARÇO
3ª S e s s ã o

10:00 h La importación de escultura italiana en España y Portugal: semejanzas y divergencias
Dra. Margarita Estella Marcos (CSIC, Madrid)
10:25 h Debate
10:35 h Sculture genovesi per il Portogallo nel Seicento e nel Settecento
Profª. Doutora Fausta Franchini Guelfi (Universidade de Génova)
11:00 h Debate
11:10 h Intervalo
11:30 h A estatuária barroca italiana dos jardins do Palácio de Belém
Profª. Doutora Teresa Leonor M. Vale (Bolseira FCT)
11:55 h Debate
12:05 h António Ferreira: do barro ao homem
Dr. Alexandre Pais (IMC)
12:30 h Debate
13:00 h Almoço

4ª S e s s ã o
15:00 h A produção escultórica na igreja da Venerável Ordem Terceira de S. Francisco do Porto
Profª. Doutora Natália Marinho Ferreira-Alves (FLUP)
15:25 h Debate
15:35 h José de Sousa Um escultor do Porto na segunda metade do Século XVIII
Prof. Doutor Jaime Ferreira-Alves (FLUP)
16:00 h Debate
16:10 h Intervalo




16:30 h O escultor romano Alessandro Giusti em Portugal. Contributos para a reformulação da prática escultórica nacional
Dra. Sandra Costa Saldanha (CEAUP/CAM, Doutoranda FLUC)
16:55 h Debate
17:05 h O Escultor João José de Aguiar: o breve sopro da escultura neoclássica em Portugal
Dra. Elsa Garrett Pinho (IMC)
17:30 h Debate


14 de MARÇO
5ª S e s s ã o

II. A ESCULTURA E AS OUTRAS ARTES


10.00 h Do volume e da cor. A vertente escultórica dos embutidos de pedraria policroma no Portugal de Seiscentos
Dra. Maria João Pereira Coutinho (Bolseira FCT, Doutoranda FLUL)
10:25 h Debate
10:35 h Escultura barroca em fontes elvenses. Os exemplos da fonte de S. Lourenço e da fonte da igreja da Piedade
Dr. Nuno Grancho (Mestrando FLUL)
11:00 h Debate
11:10 h Intervalo
11:30 h Leandro Braga e a escultura decorativa oitocentista: do móvel ao monumento
Dr. Pedro Bebiano Braga (CML)
11:55 h Debate
12:05 h Azulejo e esculturas sem escultor: o espaço reinventado
Profª. Doutora Ana Paula Rebelo Correia (ESAD/FRESS)
12:30 h Debate



13:00 h Almoço
6ª S e s s ã o
III. O PATRIMÓNIO ESCULTÓRICO: CONSERVAÇÃO, PRESERVAÇÃO e SALVAGUARDA


15:00 h Percursos na Escultura – uma experiência em conservação e restauro
Dra. Alexandrina Barreiro (IMC)
15:25 h Debate
15.35 h As intervenções policromas e o seu des-restauro
Dra. Conceição Ribeiro (Técnica de Conservação e Restauro)
16:00 h Debate
16:10 h Intervalo

16:30 h Novas Perspectivas sobre o Retábulo da Pena em Sintra: História e Conservação
Prof. Doutor Pedro Flor (Universidade Aberta) e Teresa Silveira (CaCO3)
17:05 h Debate
17.15 h Sessão de encerramento
Prof.ª Doutora Teresa Leonor Vale e Prof. Doutor Pedro Flor

segunda-feira, janeiro 19, 2009

1.º Encontro de Jovens Investigadores do CEAUCP/CAM

O Centro de Estudos Arqueológicos das Universidades de Coimbra e Porto e o Campo Arqueológico de Mértola (Unidade I&D 281 FCT) promovem o seu Primeiro Encontro de Jovens Investigadores.
O envento terá lugar na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra durante os dias 23 e 24 de Janeiro, e nele serão divulgados (e debatidos) os temas e os caminhos de investigação dos Mestrandos e Doutorandos do Centro.
Entre outros assuntos, o encontro incidirá sobre temas da Arqueologia, da Arquitectura da Terra, da História da Arte Portuguesa, do Património e da Gestão Cultural.
A entrada é livre.

sexta-feira, janeiro 09, 2009

After party

Não cumpri os votos do costume, no tempo certo do Dezembro que já passou, porque me perdi a rever uma série de natividades e decidi não abusar das representações daquela Mãe adorando, distante, o recém-nascido Filho, colocado em posição de abandono num leito mal fabricado. Fugi à iconografia precisamente porque senti que, ao contrário de Maria assim representada, queria muito pegar nos meus filhos ao colo demoradamente. E ao pegar nos filhos demoradamente, o mundo fecha-se inteirinho à nossa volta, e nada mais importa, muito os perigos, muito menos as guerras, muito menos a previsibilidade de um futuro agónico. Do olhar dos nossos filhos, vistos dali, do nosso colo, emana uma serenidade tão verde que nos faz girar o mundo que assim se vira ao avesso.
Dir-me-ás, Senhor, que a iconografia na Natividade é o fruto da imaginação dos Homens e que, na realidade, os factos decorreram de outro modo, porque Maria, logo depois de dar à luz, experimentando, como todas as mulheres, aquela esquisita emoção, pegou no filho ao colo para de imediato o alimentar e aquecer, ao que te responderei que, por isso mesmo, temo tanto a Humanidade.
Se dos olhares dos Homens cai uma lágrima, ela deve embater com força nos olhares dos próprios filhos.