quarta-feira, junho 25, 2008

domingo, junho 22, 2008

sexta-feira, junho 20, 2008

se a felicidade matasse o homem seria imortal




«Fundo de maneio pago por clientes»

Assim à primeira vista, ficamos sem saber de que fundo de maneio trata a notícia publicada no Correio da Manhã de dia 20 de Junho de 2008.

Podia tratar-se de qualquer assunto, não fosse a conjuntura portuguesa a fazer adivinhar tratar-se de um fundo de maneio para o pobre grupo da EDP: «As facturas de electricidade poderão vir a incluir uma parcela para a constituição de um fundo de maneio para a EDP. Esta é mais uma das propostas da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), que consta de um vasto documento que está em consulta pública.».

Apesar do pouco tempo que tenho, fui à procura do documento que deveria estar publicado na pp. web da ERSE. É que, como sabemos por outras experiências já vividas, as consultas públicas em Portugal não funcionam bem, também porque os cidadãos não têm tempo para este género de investigação. Movida por esse motor de impulsão lá fui tentar achar o referido documento...

... Apesar dos esforços empreendidos, não descobri facilmente o texto em causa. Baixei os braços e decidi voltar à notícia para ler que: «Os documentos contêm centenas de páginas numa linguagem que exige conhecimentos do sector, o que levanta a questão de se saber quantos consumidores conseguirão dar o seu contributo em resposta ao apelo da ERSE. 'Nada está decidido', garantiu ainda fonte da ERSE, explicando que a decisão final só ficará concluuída a 31 de Julho.». Não há volta a dar. A partir de dia 31 de Julho acresce a taxa imposta para que a partir do próximo ano nos unamos para ajudar a pobre da EDP. [Entendo cada vez melhor o sarcasmo do logotipo do grupo, que é aquele sorriso de esguelha.]

Este esforço de pesquisa valeu-me uma certeza. A de que todos nós, todos quantos vivemos neste país governado por uma mole em cujo topo está instalado o velho Conde de Olivares, vamos concorrer para ajudar a pobre da EDP (na construção de um fundo de maneio a que somos obrigados, no pagamento das dívidas de consumidores caloteiros, entre outras ajudas subliminares...). Ajudaremos tanto a pobre da EDP, tal como temos vindo a ajudar tantas outras entidades a gerir os seus fundos bilionários, até que os nossos se esgotem, e já esteve mais longe disso.

[Irrita-me já profundamente ser portuguesa... Este sentimento de pertença a coisa nenhuma que nos une na triste ineficácia, no pacifismo amorfo, na alienação incolor, no virar das costas aos problemas, este sentimento de perten��a a uma casta escravizada e sem ganas é, para mim, um fenómeno arrepiante. Mas isto de ser portuguesa tem o seu lado positivo: ninguém nos governa de facto. E isso é bom! Somos livres!, amigos, somos livres! Estamos livres de tudo, particularmente de quem nos possa proteger... pena é que não estejamos livres para escolher a quem queremos ajudar com o nosso curto rendimento, pena é que não estejamos livres para crescer, pena é que não estejamos livres dos cúmulos tributários, pena é que na liberdade em que vivemos passemos fome, pena é que na liberdade em que vivemos somos profundamente tristes, pena é que este género de liberdade nos esvaziou de energia reivindicativa, da capacidade de lutar sequer por direitos básicos, da capacidade de gritar, da capacidade de inventar, da capacidade de raciocinar... de nos unirmos por causas (antes dos seus efeitos)... Pena é que esta liberdade em que vivemos não é mais do que um embuste.


Sou incapaz.


Confesso-me incapaz até de fugir daqui, e esta incapacidade assumida faz de mim um estranho ser abjecto. Agarro-me a (falsas) soluções apaziguadoras para não desnortear]

terça-feira, junho 17, 2008

tributo a um amigo tão especial...


Foto: Lu��s Catarino, Fot��grafo Oficial do Presidente da Rep��blica


O Professor Doutor Vítor Manuel Guimarães Veríssimo Serrão, Professor Catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL), foi distinguido a 10 de Junho de 2008 com o Grau de Comendador da Ordem de Sant'Iago da Espada pelo Presidente da República Aníbal Cavaco Silva na sessão solene das comemorações do Dia de Portugal em Viana do Castelo.

Esta "elevada distinção premeia o trabalho que o galardoado tem desenvolvido nas últimas décadas como Historiador da Arte, apelando para a importância da História da Arte na salvaguarda do Património Cultural e para o premente recenseamento do património edificado, móvel, cripto-histórico e documental e das prioridades de conservação e restauro, muito prestigiando a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa." (Professor Doutor António Ventura, Presidente do Departamento de História da FLUL).

quarta-feira, maio 28, 2008

I am what I am

E discorrendo sobre o facto de haver coisas que afinal não devem valer tanto a pena, fechou os olhos.
Estava, por certo, muito cansada.
E quando assim encerrou a sua relação com a vigília, e mesmo não querendo, por preferir centrar-se no sono, percorreu-a inteira a memória de velhos passos dados, e de velhas reacções despertadas, e de tantos e velhos minutos decorridos, e não encontrou neles um erro que a pudesse macular.
E nesse instante ela viu tudo, sentiu todas as dores provocadas, ouviu o som das palavras que deixou cair, e nessa solidão estimulada pelas memórias extenuou-se imensamente, alvitrando que jamais pudesse sair dessa condição de fadiga ao rubro.
Horas volvidas nesta vastidão de emoções retornou ao mundo das cores, num amanhecer retumbante de sentidos cruzados durante um sono descomedido.
Contas feitas por dentro, já de nada lhe importava que dela fosse feita, tão perpetuamente, a imagem criada pelas reclamações, por vezes tão contraditórias e de outras tão sinistras, que a ela era exterior. E em abono da verdade, já não estava incomodada porque dela queriam outros fazer outra, por vezes muito melhor, por vezes muito pior do que ela mesma.
Esfumara-se dentro dela a culpa que nunca havia merecido, e estava bem assim, sem mudar uma linha ao seu destino de pessoa sã e desassombrada.
E a sua correcção, adivinhara-a ela durante o sono excessivo, um sono longo e de longos prazeres de reconhecimento de si, provinha-lhe precisamente desse seu meigo desassossego, dessa sua condição de gente que não mede o que dela se projecta, precisamente por não ter culpa.
A sua correcção, concluiu ela naquela manhã de espaventos interiores, advém-lhe do facto de ser igual dentro e fora do seu corpo.
A sua índole, sem ser perfeita, era contudo menos repreensível do que lhe queiram fazer crer.
E nessa justa medida da sua têmpera continuaria viva e fervente e, caso fosse mesmo essa a necessidade, apartar-se-ia dos outros, para não incorrer na sua própria inutilização.
Pensou, por fim, desentorpecendo-se, que mais vale ser, do que passar a vida a doer.

___________________________ and life goes on....

quarta-feira, maio 21, 2008

o mundo dos centauros, dos duendes e dos cíbridos











Não sendo uma pessoa de fé, não consigo acreditar na Criação e nem sequer acredito que possamos ser filhos de uma entidade sumamente boa, sumamente grande e sumamente bela, omnipresente e omnipotente.
Sinto o enredo da vida como uma realidade que resulta de um processo feito de contínuas mutações. Também sinto, muito misteriosamente, ou talvez porque o meu cérebro possui um desvio que me proporciona esse vislumbre inexplicável, que a vida de cada um acontece e reacontece, como uma torrente que persiste.

Por vezes acredito que vivemos uma experiência conduzida, pré-estabelecida, ou programada, mas não sei explicar como e porquê, embora pressinta essa explicação, que para mim, não passa pela existência do Deus que nos vem sendo apresentado. A minha relação com as coisas da natureza e da metafásica é algo estranha, contraditória e inexplicável, e passo muito tempo a pensar nisso, nesta confusão em que persistentemente me encontro, talvez devido ao facto de não conseguir acreditar na Criação.

Este discurso serve-me de introdução ao assunto que corre presentemente sobre a criação de cíbridos que, segundo creio, são o mesmo que híbridos especiais, gerados laboratorialmente a partir de um citoplasma não humano com um núcleo humano. Depois da era controversa dos clones, chegámos finalmente ao tempo dos embriões híbridos.

Pois muito bem.

Desde os alvores da humanidade que as quimeras e os híbridos povoam os nossos sonhos, por vezes mais horrendos e assustadores, mas ainda assim eles fazem parte, desde cedo, do nosso mundo paralelo que, um dia, pode tornar-se, e enfim, na realidade das coisas, transferido definitivamente para a nossa dimensão de vida quotidiana, toda cheia de rotinas.
Tento esquecer, embora a custo, uma vasta gama de imagens que me acometem quando penso nestes híbridos, provinda de uma série de obras de arte mitológica ou, mais recentemente, dos filmes de ficção científica, que também me foram expondo aos mais estranhos seres encerrados, ou não, em caixas de sobrevivência, ou noutros lugares distantes do olhar das multidões até à eclosão definitiva, para a vingança final. Tento esquecer estas tantas e tão diferentes representações, que também são frutos do medo que o homem tem da sua própria imaginação, e do progresso, aliado ao espírito de descoberta, porque sei que esse género de comparação é infantil.
Arredada deste imaginário ficcional, vejo-me na realidade. E na realidade, desenrola-se um novo processo, em episódios não menos rápidos, quanto assustadores: no interior de um laboratório, o cientista retira o núcleo de alguns óvulos animais, introduz-lhes o núcleo de uma célula humana e inicia o desenvolvimento de um embrião. Isto porque há mais óvulos de animais à disposição do cientista, e porque assim se evitam os danos colaterais que as mulheres, doadoras de óvulos, possam sofrer.

É interessante verificar que o comportamento humano é sempre motivado pela nobreza. São inúmeros os casos de experiências científicas motivadas pelo bem da humanidade, pela sua saúde e bem-estar, mas que, depois desse nobre objectivo, e porque o homem não é perfeito, e porque mesmo que o fosse, outros há que se deixam conduzir pelos maus fluidos, essas mesmas experimentações acabam por degenerar-se, resultando em processos inesperados, e que vão no sentido inverso do seu motor. O desinteresse pelo conhecimento da História causa a repetição inevitável destes, e de tantos outros processos, e faz com que o homem continue a pasmar-se com os resultados avessos às suas intenções de real decoro, ou dignidade.

Então, e voltando aos híbridos especiais, a experimentação que agora se aprova na Grã-Bretanha, pode conduzir à obtenção de um ser vivo com um ADN humano em núcleo, miscigenado com outros materiais biológicos não humanos (o citoplasma, por exemplo). Trata-se de um cytoplasmic hybrid embryo. (pausa).
Volto ao mundo da ficção e às imagens que tento esquecer de seres com aberrantes alterações provocadas por pequeninas transformaçõees induzidas pela incurável imaginação e criatividade dos cientistas. E porque volto a isto também me culpabilizo pela minha própria ignorância. Ora se eu quero fazer ciência, embora em terrenos menos pantanosos, também não devo coarctar essa possibilidade aos outros.
Este cíbrido agora em aferiçao contém 99% de ADN humano, levando-nos a acalmar os ânimos, por tratar-se de um embrião praticamente humano.

Muito bem. (pausa).

Depois desta fusão, o cientista pode realizar, com o embrião assim gerado, um sem número de experiências que devem resultar na diminuição de algumas doenças que causam a morte de milhares de pessoas. Espera-se que estes embri~ees (com o citoplasma não humano e núcleo humano, ou embriões citoplásticos) sejam, durante estes processos, naturalmente destruídos. Muito bem. Todavia, não se sabe ao certo se esta estranha mistura feita de homem e animal corresponde, de facto, a um embrião, no sentido que a ciência lhe tem dado. Também calculo que não se conheça o verdadeiro resultado desta fusão ou se, por um acaso, há possibilidades de desenvolvimento desse embrião, em terreno conforme ao seu natural crescimento.

O que é, para mim, assustador, é a possibilidade de manutenção e de maturação desse início de qualquer coisa que depois resultará numa espécie nova de vida, confundida, presa a um frasco cheio de um líquido que lhe oferecerá sobrevivência, e que será alvo de apontamentos diários em cadernos cheios de imagens tal qual aquelas que me povoam o imaginário viciado pela ficção.

E assim retorno ao meu mundo secreto, esperando nunca poder vivê-lo na realidade, a menos que o engenho humano assim no-lo permita: o mundo dos centauros e dos duendes, o mundo dos monstros que fogem do dispensatório dos seus criadores para nos enfrentar, tentando sobreviver, o mundo do novo Conde Drácula, mais fantástico, e de Frankenstein, o mundo Alien e o de outras tantas coisas que vão já sendo mais ou menos possíveis de realizar...
Porque tenho eu tanto medo dos homens?

quarta-feira, maio 14, 2008

yeah baby


Love and Rockets, no big deal...

Sim,
parece que não tenho nada de interessante para dizer
mas nem por isso fico calada
trata-se isto de uma estranha enfermidade.

quinta-feira, maio 08, 2008

a um velho amigo então chamado Klaus Nomi


Klaus Nomi, the cold song (ao vivo, a seis meses de morrer, com sida, aos 39 anos, em 1983)


Klaus Nomi, after the fall

não consigo esquecer-me


the Flying Lizards, Money (That's What I Want) ... yeah

(be)cause


Music by Brian Eno, bonebomb
Video by Paul Arto

quarta-feira, maio 07, 2008

da luz pálida e quieta que ainda assim perpassa por entre os fios de linho esparsos que enformam a mortalha





Queria fazer das ideias um mundo que delas somente se preenchesse para crescer, e assim mesmo fazer do mundo um lugar cheio de fantasia. Mas depressa chegou o dia em que aquelas ideias, as mesmas ideias que consubstanciariam aquele mundo almejado, e porque nunca elas, tal como os sonhos, conheceram a gravação em tinta que lhes desse carne real, foram fechadas num pano branco feito de um linho macio e embrulhadas no mesmo corpo que assim conheceu a terra onde viria a demorar-se, na eternidade dos silêncios.
Oh altíssimo, porque fazeis com que a fantasia não tome o lugar da vida, sempre, mas somente naquele instante, naquele pedaço de tempo que quase sempre surge ao crepúsculo, ou já de noite, em que a carne crispada conhece o lençol com que se enrola o corpo, depois inerte, tornado ao par feito de velhas penas brancas onde se gravam os sonhos em tinta escura, mudado que foi o mundo em visão gélida e distante.

É que assim se torna a vida em morte, e a morte em vida, e vida em morte tornada vida.

sexta-feira, maio 02, 2008

sim


kelly polar, i need you to hold on while the sky is falling:
Entropy Reings (in the Celestial City)


but We live in an expanding universe, whit so many and so beautiful Satallites, whispering A dream in three parts ...

sexta-feira, abril 11, 2008

Excertos de um livro imenso numa livre tradução do subconsciente

Ficaste lá tempo demais, disse-lhe ele de olhos postos no chão, braços caídos e alma tão quieta que podia ouvir-se o som da sua memória.

Ficaste lá tempo demais, disse-lhe ele outra vez, tentando agora alcançar os olhos dela que se escondiam por detrás de uma vergonha imensa, porque sabia que tinha lá ficado o tempo que a demora do pensamento lhe tinha deixado estar.

Sim, e essa demora fez-me bem, respondeu ela, enervando-se com o som das suas palavras. Ela enervava-se muito quando ouvia a sua própria voz, e quando a sua voz dizia coisas avessas ao que a sua boca deveria proferir. Porque ela acha, ainda hoje, que é a boca que deve dizer coisas, e não a voz.

Não pode ter-te feito bem, disse-lhe ele, ainda de olhos pousados nela, mas agora com compaixão. E ela sentiu a compaixão dele e pensou que a sua piedade fora causada pelo som das suas palavras, através da sua voz, e preferiu o silêncio.

Passaram-se outros tantos dias e ele perguntou-lhe se ela estava bem, porque havia dias que não dizia nada. E ela disse, com a sua boca, que jamais havia gostado dele.

sexta-feira, abril 04, 2008

ora como isto é tão verdadeiro:




«Não é de admirar que a consciência de classe proletária e a ideologia do socialismo tenham encontrado menos defensores eminentes entre os trabalhadores do que entre os intelectuais, e não se teriam tornado no objecto de uma teoria e de um programa sem estes desertores instruídos. Mesmo Lenine concordou que o proletariado não era capaz de desenvolver uma consciência realmente socialista, sendo, quando muito, capaz de pensar ao nível do movimento sindicalista, admitindo [...] que a sua libertação não teria sido possível sem a presença dos seus contemporâneos das classes mais ricas e cultas; na realidade, porém, as teorias filosóficas, históricas e económicas dos desertores nunca teriam surgido sem os novos moldes de produção ou sem a existência de um novo proletariado industrial com as suas crises, conflitos e lutas. A função dos desertores era a de traduzir para conceitos do pensamento dialéctico as grandes contradições.».


Arnold Hauser, A Arte e a Sociedade, Lisboa, Presença, 1984, p. 104.

quarta-feira, abril 02, 2008

oh! what can i do!...



I was lying in my bed last night staring
At a ceiling full of stars
When it suddenly hit me
I just have to let you know how I feel
We live together in a photograph of time
I look into your eyes
And the seas open up to me
I tell you I love you
And I always will
And I know you can't tell me
I know you can't tell me

So I'm left to pick up
The hints, the little symbols of your devotion
So I'm left to pick up
The hints, the little symbols of your devotion

And I feel your fists
And I know it's out of love
And I feel the whip
And I know it's out of love
And I feel your burning eyes burning holes
Straight through my heart
It's out of love
It's out of love

I accept and I collect upon my body
The memories of your devotion
I accept and I collect upon by body
The memories of your devotion

And I feel your fists
And I know it's out of love
And I feel the whip
And I know it's out of love
And I feel your burning eyes burning holes
Straight through my heart
It's out of love, ooh hoo
It's out of love

Give me a little bit serious love
Give me a little full love
Be full of love

Fists, fists, fists full of love...


***********************
antony and the Johnsons. firstful of love

and stil(l) I have this voice in my head (oh! what can I do):

Blind Video

antony and andy butler in blind

sexta-feira, março 28, 2008

Estou incandescente.

E estar incandescente deixa-me assim tal qual numa fogosa exaltação interior.
Esta incandescência provém-me de dentro, porque estou com ideias vivas e aceleradas demais para conseguir segurá-las todas. Elas são incandescentes e deixam-me assim impaciente, de dentro, nunca de fora, porque as ideias estão de dentro e quase não passam para o outro lado, o de fora.
Esta incandescência resulta, assim, de um frémito pessoal e interior, daquele ardor que torra por dentro, como um braseiro que vem da carne, mas que primeiro veio das minhas ideias, para a carne, sem ultrapassar os limites da minha pele.
Mas noto-a por fora, a essa incandescência, nos tremores que me angustiam os gestos, nas poses que não consigo controlar, porque estou em frémitos.
Ainda assim não consegues ver o meu frémito, porque ele está, todo ele, cá dentro, saindo cá para fora apenas naquilo que só eu consigo sentir, com os meus sentidos, e tu, com os teus, não sentirás, porque o meu frémito vem das minhas ideias alvoroçadas, nesta incandescência de vigores pessoais que só a mim enfatizam.
E aquilo que tu vês é um sorriso patético, o sorriso que eu verto quanto estou incandescente, porque o sorriso de fora não é o mesmo sorriso de dentro, e pouco me importa se para fora ele é patético, porque estou em frémito, e porque o sinto como um sorriso interior, que para mim provém dos pulsares rápidos, como os das ideias que assim se me esvoaçam desacatadas, desenraizadas e sem que as possa fazer repousar ou repensar.
E eu não quero, agora que as sinto pulsar vibrantes, levando-me a esta arrebatação, reelaborá-las. Quero-as assim vindas de dentro, e para dentro, virgens ainda da minha pele para fora dela, virgens de ideias exteriores e dos ouvidos alheios, e de outras quaisquer vidas para além das delas. Quero-as minhas, falantes comigo assim, dentro de mim, transportando-me assim sozinha, neste sorriso patético que é como que um esgar do meu frémito.
E na velocidade deste delírio extático me fico incandescente.
E o contacto com o mundo real traduz-se neste mesmo sorriso patético que cá dentro quer significar o mesmo que os meus inelutáveis prazeres, provindos das minhas, exclusivas, miscigenadas, misteriosas e vertiginosas ideias.

quinta-feira, março 13, 2008




O prazer incontrolável leva a incontroláveis perigos, e a arte, sendo capaz de oferecer diversos estados de alma, e de tantas e inqualificáveis emoções, é capaz de animar o homem para aquilo que o pode destruir.

derivação de um pensamento de Platão

i am this kind of thing

quarta-feira, março 12, 2008

é assim a vida!



«No matter how I try,
I just can't get her out of my mind
And I when I sleep I visualize her.

I saw her in the pub,
I met her later at the nightclub.
A mutual friend introduced us
We talked about the noise
And how its hard to hear your own voice
Above the beat and the sub-bass.
We talked and talked for hours,
We talked in the back of our friend's car
As we all went back to his place.

On our friend's settee,
she told me that she really liked me
And I said: "Cool, the feeling's mutual."
We played old 45s
And said it's like the soundtrack to our lives
And she said: "True, it's not unusual."
Then privately we danced
We couldn't seem to keep our balance
A drunken haze had come upon us.
We sank down to the floor
And we sang a song that I can't sing anymore
And then we kissed and fell unconscious.

I woke up the next day
All alone but for a headache.
I stumbled out to find the bathroom
But all I found was her
Wrapped around another lover.
No longer then is he our mutual friend.»

The Divine Comedy, our mutual friend