terça-feira, janeiro 31, 2012

um tempo de quase fim.



o tempo não cura tudo mas passa sobre a tua pele como um caleidoscópio de injúrias. não há verdade que o tempo saiba ensinar nem há verdade que o tempo faça acordar. e quando pensas que com o tempo a realidade ajusta suas costuras, fazes por esquecer-te que não te entregas, dobando-te, apenas, nas margens amplas de um tempo cru.


o tempo faz-se contigo e tu és o corpo do tempo. o tempo és tu que nada curas quando te voltas para o tempo esperando que costure tuas bainhas.


e saberás quantos dias vives no tempo quando te fores.
e de lá onde tu és te chorarás,
porque do tempo foste capaz
de te esquecer.

quinta-feira, julho 28, 2011

virou-se-me o inverno em verão

fechar portas e janelas é um assunto muito particular quando estamos perto do meio do ano, de olhos a cair de estragados, de rostos quietos e já praticamente sem expressão. fechar gavetas, capas e canetas é quase o mesmo que fechar as minhas mãos… guardar o peito em suspensão. sair com ele cá dentro para o revelar depois da reabertura de todas as portas e das janelas que com ele se fecharam antes de ir.
ano após ano encaro o mesmo rumo desacertado que acaba aqui, em fim de linha mal definido, a meio do ano, quando os olhos pesam, desarranjados, quando o corpo pende para a inacção, quando o peito entra num pousio feito de renúncia. e a cada ano, depois do outro, estancio nestes balanços de vida que se transmuta noutra, tão ilusoriamente, e por momentos de fadiga intensa, para regressar como fui.
fechar os estores e as malas dentro de um copo.
fechar o olhar, essa pausa na emoção de um ano, dentro do mundo.
fechar o dia e a noite para sentir o vento que pode, quem sabe, expurgar a alma que tem de rever-se depois, mais clara e mais limpa, ou mais sólida e mais capaz. a meio do ano é quando tudo se transforma em coisa qualquer que emerge para submergir. e neste dealbar da última porção do ano quero vingar a minha sorte de derivas. virou-se-me o inverno em verão e firmemente me encerro para o refresco da sorte que almejo para todos quantos outros dias virão.

sexta-feira, julho 30, 2010

sem título 002



pego em tudo o que sou, de pesado e vigoroso, de anseio e estremeção, de medo e de paixão, de palavras e mais silêncios, de sim e mais que não, sempre incompleta, e aninho-me nos caminhos que me levam destino fora. pego na minha fardagem prenhe de lembranças, num saco cheio de cinzas e deixo que o céu cumpra sua fortuna, em mirabolantes direcções.

quinta-feira, abril 15, 2010

Novas Visões do Passado


Colóquio
Novas Visões do Passado.
Dia Internacional dos Monumentos e Sítios.
17-IV-2010. Auditório de Santa Clara-a-Velha. Coimbra.










Programa:

10:00h - Francisco Pato de Macedo: O patrono e a construção;
10:35h - Maria da Conceição Lopes: Perfurar as Cotas;
11:05 - pausa
11:35h - José Aguiar: Conservação ou Gestão da mudança? De onde viemos e para onde vamos?
12:05h - José Alves Costa: Visões alternativas para o espaço.
12:35h - Debate

15:00h - Eugénia Cunha e Francisco Curate: Doença e morte no espaço sagrado;
15:35h - Maria de Lurdes Craveiro: A capitalização da memória. O túmulo novo da Rainha;
16:05h - Pausa
16:35h - Carla Alexandra Gonçalves: A escultura pétrea Quinhentista em Santa Clara.
17:05h - Debate.

(Dado que a lotação do auditório é de 60 lugares, torna-se imprescindível
que façam as inscrições para: icesar@drcc.pt)

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Âme


«Os sentidos aos quais o homem se apresenta como objecto artístico são a visão e a audição; à visão representa-se o homem exterior, à audição o homem interior.» Richard Wagner (1849), A obra de arte do futuro, Antígona, 2003 p. 45.

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

"Bauhaus: arquitectura e causa pública"


O Colóquio "Bauhaus: arquitectura e causa pública", constitui uma iniciativa integrada na XII Semana Cultural da Universidade de Coimbra, e promove-se pela Secção de Artes do Departamento de História, Arqueologia e Artes da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC), Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra (CEIS20), Centro de Estudos Arqueológicos das Universidades de Coimbra e Porto (CEAUCP), Colégio das Artes (UC) e Trienal de Arquitectura de Lisboa.

O Colóquio realizar-se-á no dia 3 de Março de 2010 no Auditório da Reitoria da Universidade de Coimbra, visando promover o debate sobre a relação entre o universo estético e o espaço político. Procurará, ainda, divulgar a história da Bauhaus, cujo 90.º aniversário recentemente se registou, reinterpretando-a num contexto contemporâneo e transcultural, bem como problematizar o conceito de «moderno» e respectivas balizas.


Programa do Colóquio:

9h00 – Recepção dos participantes. Entrega da documentação.
9h30 – Sessão de abertura
10h00 – Conferência inaugural: Werner Möller (Fundação Bauhaus Dessau), Bauhaus: what are we talking about?
11h00 – Pausa para café
11h15 – Pedro Vieira de Almeida (ESAP-CEAA), Evolução e politização do conceito de moderno – o papel da Bauhaus
12h15 – Jacinto Rodrigues (FAUP), Revisitar e aprender com a Bauhaus
12h45 – Debate
Pausa para almoço
14h00 – António Sousa Ribeiro (FLUC), Uma modernidade ameaçada. Arte, cultura e política na República de Weimar
14h30 – Joana Brites (FLUC; CEIS20), Moderno, modernos
15h00 – Debate
15h30 – Pausa para café
16h00 – Ana Vaz Milheiro (ISCTE;UAL), Influências da Bauhaus nas arquitecturas brasileira e africana
16h30 – Delfim Sardo (FLUC; Colégio das Artes), Pensar a Bauhaus hoje
17h00 – Debate e encerramento
18h30 – Inauguração da exposição da Colecção Paulo Parra: Entre a Bauhaus e o novo racionalismo (Galeria de Exposições Temporárias do Museu Antropológico da Universidade de Coimbra)

terça-feira, agosto 18, 2009

coisas de que se ouviram e que jamais podem esquecer-se

(conversa entre mulheres num banho turco de um espaço hoteleiro em Tróia, Portugal)

...
─ Então onde é que ela passou férias?
─ Em Porto Seguro, na Madeira… ou no Funchal…
─ Porto Seguro do Funchal? Mas Porto Seguro não é nos Açores?
─ Ah pois é… baralho sempre isso, é nos Açores, é.
...

terça-feira, julho 21, 2009

sem título




You are my flesh
You are my bones
You are endless shifting tones
You are my eyes you are my ears
You are the salt within my tears
You are my noise you are my sound
You are the dark and shifting ground
You are my yes you are my no
You are rarely wrong i know

So move with me
With me removed

You are my down you are my up
You're so now never give up
You are my last you are my first
You are my good luck and my worst
You are my love you are my pay
You see green when i see grey
You are my bad i am your good
There are words misunderstood

So move with me
With me removed

You are my fingers i am your hand
I am your three man one man band
You are my breath i am your tongue
I feel old when you look young
I am your feet you are my toes
Where you come from no-one knows
I am your vision
You are my scent
I am borrowed you are lent

I am nervous you are calm
I see lines upon your palm
I am close we are near
Though the ending is not clear
We are seperate we are one
The division has begun
You are my future i am your past
Even music will not last

So move with me
With me removed

You and us together
Together in this room
You will not remember
This passing moment soon

I am nervous you are calm
I see lines upom your palm
I am close we are near
Though the ending is not here
We are seperate we are one
The division has begun
You are my future i am your past
Even music will not last

So move with me
With me removed

You and us together
Together in this room
You will not remember
This passing moment soon
.................................

quinta-feira, junho 25, 2009

coisas de pedagogia entre outros assuntos pertinentes

Ontem estive a ver e a ouvir as palavras de Nuno Crato num canal de televisão portuguesa. E acreditei (corroborando) em tudo quanto ouvi, esperando que as palavras ali ditas entrassem, tranquilamente, em todas as casas por este país fora (ou dentro), porque elas são necessárias, especialmente na conjuntura (educativa, cultural e científica, entre outras) em que vivemos.

É urgente que o país se dê conta de que está a retroceder, degradando-se. É que a degradação de um país parte, como se sabe, da formação dos seus cidadãos, e quando eles não são formados, quando a desacreditação das fundações do conhecimento é prática corrente, não pode, qualquer que seja a sociedade moderna, tornar-se numa sociedade de facto, atendendo aos predicados que a ela convêm imputar-se.

Felizmente que nem todos estão de olhos vendados, e que há, mesmo que poucos, alguns sujeitos que reflectem sobre estes assuntos estruturantes com inteligência e com verticalidade, expondo, com a clareza que importa a estes assuntos, que o caminho da formação, desde os primeiros anos de vida dos sujeitos em processo formativo, passa pelo trabalho e pelo esforço, pela memorização, pela repetição de exercícios, pela sistematização, pela prática, ainda que mal compreendida, mas depois absorvida, pela activação de mecanismos adstritos à aquisição de conhecimento.

As modernas práticas de formação instigam, segundo Nuno Crato, e que todos nós testemunhamos, à auto-aprendizagem e à motivação individual mas, todavia, não pode um sujeito, e independentemente da sua idade (ou grau de formação), motivar-se sem conhecer, já que é a própria(e constante)aquisição de conhecimento que proporciona um crescendo de motivação. Trata-se de um processo circular, e não de um esquema linear de aprendizagem.

Recordo outro assunto tratado na entrevista de ontem, e que toca a questão daquilo que podemos designar como a aprendizagem a brincar... Quando as prática pedagógicas atendem à forma como devem ensinar-se os aprendentes, investindo-se sobremaneira no aspecto, quanto mais apelativo em termos de formas e de cores e de esquemas que, eventualmente, motivem os formandos, ao invés de investir na qualidade do ensino, alicerçado nas raízes que o devem fundar, tais como oferecer as ferramentas de trabalho de forma orientada, fortalecer os esquemas de aquisição de conhecimento, instigar ao esforço e à prática repetitiva, alargar o espectro de assuntos, explicar o sentido que todos os assuntos possuem de forma transdisciplinar, ou, numa palavra, ensinar (de um lado) para aprender (de outro).

Também eu credito que um formando, para aprender, tem de esforçar-se, tem de memorizar e tem, depois disso, de compreender. Trata-se de um processo que começa, tal como Nuno Crato defende, a partir do grau zero do conhecimento, ou seja, os nossos estudantes começam, no ensino básico, a trabalhar assuntos e a activar mecanismos mesmo antes de se darem conta do que efectivamente estão a praticar, e mesmo sem saberem o que estão, na verdade, a conceber. O que estimula estes aprendentes é, precisamente, a luta que dá este processo e a vitória do alcance de resultados, mesmo que ainda desconhecidos, ou mesmo que desconhecido seja o objectivo desses resultados. Com o tempo, e com o crescendo destas práticas (entre outras que o ensino tradicional promove) surge, no horizonte destes estudantes, ainda que de forma esboçada e incompleta, a razão que levou o professor à prática sistemática do processo que ele viveu.

Trata-se de um caminho longo e duro, mas que forma o sujeito e que lhe oferece a possibilidade de, mais tarde, adquirir, então de forma mais individual, mas alicerçada, outros níveis de conhecimento. O crescimento do estudante desde o primeiro ano faz-se de forma espiralada, diria eu.

Ficam aqui outros textos, da autoria de Nuno Crato, que servem como exemplos da qualidade das suas ideias que, por seu turno, são o fruto de uma pesquisa séria sobre estes assuntos que ao país deveriam importar mais do que outros... sob pena de uma hipoteca com base na alienação e na ausência de formação dos indivíduos que a compõem.

quarta-feira, maio 20, 2009